[blog] Entrevista Bruna Medeiros – Designer de Estampas

Bruna Medeiros é uma designer muito talentosa, foi minha aluna em curso de Mídia Digital na Udesc, trabalhamos juntas no Modeline, programa de Extensão do Curso de Moda da UDESC e convidei ela para nos contar um pouco sobre seu trabalho com0 designer de estampas.

 

Confira a entrevista:

12494068_990378447697989_2144781377_oSou Bruna Medeiros, Designer de Moda, formada pela UDESC em 2013, sou apaixonada por arte, história, botânica, música, filmes…a lista é interminável! (rs) Hoje trabalho como desenhista de estampas em florianópolis, atuando em diferentes seguimentos como freelancer. Meu dia a dia funciona no meu mini escritório em casa, começando com um bom café e muitos chamegos nos meus gatos, Dora e Branco

 

 

 

 

 

 

    1. Como surgiu a vontade, paixão ou opção por trabalhar com estampas?

      Posso dizer que a paixão começou com o desenho e com depois a moda (super clichê! Rs). Porém, a coisa curiosa é que durante toda a vida acadêmica eu não me envolvi em nenhum momento com estamparia. Eu na verdade queria ser figurinista! Contar historias através das roupas me parecia perfeito. Porém durante e após a faculdade, senti que faltava algo, e lembrei que não desenhava mais a algum tempo. Resolvi retomar o desenho de forma mais livre, me aventurar oficialmente com a aquarela, sem cobranças e prazos, e então, passei os primeiros meses “pós-formada” desenhando loucamente (rs), fiz algumas ilustrações com muitos elementos florais para uma colega da moda (Raisa Balona, da marca Ajour Atelier), e ela nem sabe! mas foi neste momento que que me dei conta de que queria trabalhar com isso. Fui aos poucos divulgando meu trabalho no facebook e instagran, e então uma outra colega me encaminhou uma vaga que estava disponivel na empresa Lancaster. Eu tinha muita vontade e nenhuma experiência com estamparia mas fui, e dai pra frente, não parei mais!

       

 

 

    1. Como é seu processo criativo? E onde você busca inspiração?

      Meu processo criativo é meio caótico (rs). As vezes tenho ideias para criações quando ouço música (com frequencia!), indo dar uma volta de bicicleta, olhando o instagran de artistas que gosto. Depende muito do trabalho que terei de fazer no momento, e que referencias terei de buscar. Acredito que como muita gente, faço muitas pesquisas no Pinterest, sites de feiras texteis, de tendencias, livros de arte e ilustração que tenho em casa, em sites aleatórios de artistas que acompanho o trabalho, sites de jardins botânicos e fotografias minhas. Após pesquisar separo algumas referencias em uma pasta mesmo ou monto um painel pequeno para me guiar.

 

 

    1. Como você divulga seu trabalho?

      Normalmente uso as redes sociais mesmo, Instagran, minha página do Facebook e Behance. No Behance coloco mais coisas, incluo colorações e simulações de artes já compradas ou que estao livres para compra, é um portfólio simples mais muito facil de usar e eficiente, já recebi propostas atraves dele e fiz contatos com outros artistas incriveis. Para este ano quero tirar meu site do papel, mostrar mais do processo de desenho, exibir mais artes e focar mais no que quero desenvolver, que são artes mais originais e manuais. Mas para quem quer começar a divulgar seu trabalho o Behance é uma ótima opção!

 

 

    1. Quais empresas você trabalha? Como foi o contato com eles?

      Hoje em dia trabalho como freelancer, colaboro em estudios que vendem estampas como o Patternia e o Dash Studio, confecções de modinha, sleepwear e infantil, mas no momento estou com alguns desenvolvimento no seguimento beachwear e surfwear em andamento, um deles junto a marca Mormaii. Alguns eu já conhecia de quando trabalhei na empresa Lancaster, mas muitos consegui entrando em contato direto por telefone, email, até mesmo pelo SAC quando não conseguia o contato direto dos departamentos criativos (rs). As vezes marco uma reunião na empresa se não for muito longe para visitar. As empresas são feitas de pessoas e elas gostam de saber com quem estão trabalhando, seja conhece-lo pessoalmente ou por skype, isso ajuda bastante a entender melhor o que a empresa necessita e como você pode ajuda-los.

 

 

    1. Você consegue viver somente da criação de estampas?

      Honestamente ainda não, mas estou tentando! (rs). Hoje eu vivo de estampas, ilustração, alguns pequenos serviços gráficos e o que mais pintar!

 

 

    1. Como estas empresas lhe enviam os pedidos (mood board, briefing, todas as alternativas)hehhe?

      Olha depende muito, mas a maioria não manda moodboard completo. Os estudios que trabalho sempre enviam tudo certinho, com formas, tendencias, cartelas de cores, assim você busca mais algumas coisas complementares e toca ficha! Já os clientes normalmente chegam a mim com algumas imagens e pequenos releases, então é o momento de você perguntar o que for preciso, e extrair informações para direcionar o projeto. Por isso é preciso conhecer bem o cliente, criar empatia e ter boa comunicação durante o processo.

 

 

    1. Como você envia o material para eles (em PDF, em TIFF, em JPG)?

      Durante o desenvolvimento eu mando “prints” (de baixa qualidade) da arte com a régua lateral do Photoshop, para o cliente ir vendo como esta ficando, e se precisar mudar algo, como cores e dimensão, ja faço antes de finalizar. Na hora de enviar o arquivo final, normalmente envio em dois formatos, um JPG e o PSD, ambos em alta resolução.

 

 

    1. Qual o tamanho básico de um rapport e o processo de impressão?

      Não existe um tamanho base sabe, tudo depende, primeiro do seguimento que você vai desenvolver e qual será o método de impressão. Por exemplo, se você estiver desenvolvendo estampas corridas para moda infantil ou mesmo para biquinis, seu rapport terá de ser menor pois a area de exposição é pequena. Se for para homewear e decoração por exemplo, você pode ter um rapport grande, pois a sua area de exposição sera bem maior. Claro que ambos podem variar, mas você pode tomar isso como uma regra inicial se quiser. Já em relação a impressão, existe limitação de tamanho na estamparia por quadro (terá de ser adaptado para o tamanho do quadro) e por cilindro, a altura do rapport terá que ser sempre números múltiplos de 64 (que são as larguras dos cilindros). Já para a estamparia digital o tamanho do rapport é livre, assim como as cores também!

 

 

    1. Quais materiais ou técnicas artísticas você costuma trabalhar?

      Eu misturo bastante coisa dependendo do projeto e do conceito que será passado para a peça. No geral uso muito aquarela, lápis de cor aquarelável, lápis de cor normal, muita nanquim, marcador, guache, acrílica, colagem, foto…as vezes tudo misturado com aquarela! (rs) acredito ser minha técnica favorita. Gosto mais do pigmento em forma de tinta mesmo, seja liquido ou pastoso.

 

 

    1. Como foi participar do Concurso Estampa Brasil? Qual a sua opinião sobre concursos criativos?

      Eu resolvi participar do concurso Estampa Brasil por que estava precisando de dinheiro, simples assim (rs), foi logo em seguida que sai da empresa que eu trabalhava. Mas também havia a vontade de participar para mostrar um pouco do que tinha mais haver comigo, a coisa de usar a aquarela mais aguada e fluÍda e a temática botânica. Fiquei entre os 12 finalistas da categoria carnaval e tive o trabalho divulgado no livro Alma Brasileira, junto com os demais ganhadores. A minha opinião sobre os concursos criativos é meio controversa, eu acredito que eles vem melhorando nos ultimos anos, tentando ser um espaço de novos talentos. Porém os participantes precisam compreender que os contratos assinados nas inscrições costumam ser abusivos, por exemplo em alguns casos, ao assinar o contrato o participante costuma ceder os direitos autorais daquela obra para a empresa, e então aquilo deixa de ser seu, para ser usado por terceiros de forma comercial, sem nenhum retorno financeiro posterior para você. Acho muito legal participar de concursos, mas é preciso ler os regulamentos e contratos com cuidado e ter consciencia dos seus direitos.

 

 

  1. Como você mantem a originalidade e sua individualidade no seu processo criativo?

    Quando você desenha para você, para o seu catalogo pessoal, é fácil fazer o que mais gosta e imprimir sua identidade. Quando se trabalha com briefing de cliente você precisa se adaptar ao conceito e a necessidade dele, oferecendo também a sua visão, uma forma de fazer sua que ele pode gostar. Nos ultimos tempos meus clientes buscam o que eu já faço, que são artes mais manuais, e então, eu somo o meu estilo com as referencias deles, e o resultado costuma me deixar muito feliz!

 

 

 

Conheça alguns dos trabalhos da Bruna:

 

 

 

A Bruna também gravou um vídeo super legal com 5 dicas para quem quer trabalhar com estampas, dá uma olhada: